janeiro 17, 2006

Descolamento de retina 2

Para mim, já é um bocadinho tarde, mas registe-se a intenção. Eu descobri, da pior maneira, a razão de uma notícia que não deveria existir num país digno desse nome. E hoje estou a pagar o "preço" em termos de tempo de recuperação. Eu fui um dos que teve sorte, apesar de tudo.


(texto integral)

Descolamento de retina é prioritário

oftalmologia

A Ordem dos Médicos (OM) recomendou que os doentes com descolamento da retina sejam operados prioritariamente, depois de ter constatado que esta primazia não estava a ser respeitada, pondo em risco a visão dos pacientes.

Segundo uma recomendação da OM, a que agência Lusa teve acesso, foi definido como "imperativo deontológico" que um descolamento da retina - a separação da retina da parte subjacente que a sustenta e que pode conduzir a perda de visão - tenha "prioridade absoluta sobre as outras cirurgias programadas", na área da oftalmologia.

O bastonário da OM, Pedro Nunes, explicou que esta recomendação surge após uma audição do Colégio de Especialidade de Oftalmologia e no seguimento de casos em que doentes com descolamento da retina não receberam a devida prioridade para uma intervenção.

A OM recomenda que, "quando a unidade de saúde não possuir pessoal ou equipamento necessário para responder com a solução terapêutica mais adequada, deve estar previamente assegurado o encaminhamento destes doentes para local adequado". Perante esta recomendação, os responsáveis pelos serviços têm de organizar-se para promover este atendimento prioritário, o que, segundo Pedro Nunes, já está a acontecer.

Descolamento de retina é prioritário

PS (10:15): ver também Movimento dos Utentes da Saúde (fazer "scroll" até ao texto intitulado "Prioridade absoluta aos descolamentos da retina, recomenda a ORDEM DOS MÉDICOS"

PS 2 (14:33): de facto, o texto referido no primeiro PS é da revista "Tempo de Medicina". Não podendo fazer uma ligação directa por razões técnicas, deixo aqui o texto integral:

Recomendação da Ordem dos Médicos sobre descolamentos de retina

«Prioridade absoluta»

A Ordem dos Médicos divulga hoje, dia 21, uma recomendação sobre as prioridades nos serviços de Oftalmologia. A Ordem defende que, ao contrário do que vinha acontecendo, os casos de descolamento de retina recentes devem ter «prioridade absoluta».
Esta recomendação foi aprovada na reunião do Conselho Nacional Executivo (CNE) do passado dia 15 de Novembro e resulta de uma proposta do Colégio de Oftalmologia sobre os casos de descolamento de retina recentes (considerados como tal aqueles que têm menos de um mês de evolução). Segundo explicou ao «TM» o bastonário, Pedro Nunes, este assunto já estava a ser investigado pela Ordem há cerca de dois meses: «Tivemos conhecimento, através da comunicação social, do caso de um doente que havia sofrido um descolamento de retina e que se queixava de ter tido de recorrer ao privado, por não poder ser operado de imediato no Serviço Nacional de Saúde. A partir daí pedi ao Colégio de Oftalmologia para averiguar se se tratava de uma caso isolado ou não. E, de facto, a investigação do Colégio concluiu que a situação era prática corrente nos serviços de Oftalmologia dos hospitais do País».
Na verdade, o que sucede é que os doentes que chegam aos estabelecimentos públicos de saúde apresentando sinais de descolamento de retina são indicados para cirurgia, mas não com carácter de urgência, o que leva a que, dada as extensas listas de espera cirúrgicas da maior parte dos hospitais portugueses, esperem, em muitos casos, mais do que o aconselhável pela intervenção.
A Ordem dos Médicos quer que esta realidade seja alterada e, por isso, «transformou» o parecer do Colégio de Oftalmologia numa recomendação, de âmbito nacional. O texto que a Ordem hoje divulga determina que seja dada «prioridade absoluta» a estes doentes, que deverão passar à frente de qualquer cirurgia programada ou não urgente. E no caso de o respectivo serviço não ter capacidade de resposta, este deve reportar o facto às autoridades competentes e o doente deve ser encaminhado para outra instituição de saúde.
Neste contexto, a Ordem propõe também que o Ministério da Saúde defina quais são os centros de referência para esta patologia. Resta saber como a tutela vai acolher esta proposta dos médicos. Pedro Nunes não esconde que gostaria de ver a recomendação convertida num dispositivo ministerial que lhe conferisse mais força.

M.F.T.

TM 1.º CADERNO de 2005.11.21
0511301C24105MF47D

Publicado por ecos em janeiro 17, 2006 06:47 AM
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