dezembro 30, 2005

Éticas

Uma das coisas que mais confusão me causa durante as campanhas eleitorais é o aparecimento de pessoas que, tendo acumulado prestígio devido à sua profissão, aceitam colocar-se ao serviço de uma qualquer candidatura. "Colocar-se ao serviço" é uma expressão utilizada aqui num sentido muito específico, porque implica que se vai utilizar o nome que se cultivou durante longos anos para, deliberadamente, mentir ou distorcer a verdade. Estranharei sempre essa atitude, perguntado-me qual o eventual ganho de uma tal posição. Por que pretenderá um cidadão individual colocar-se ao serviço de uma causa que vale num determinado período, logo deixando de ter importância? Mais, faz-me colocar sempre em questão a validade do tal prestígio acumulado, uma vez que, ao atirá-lo assim pela janela, o seu valor intrínseco tem forçosamente que ser baixo. Porque se mentirá ou distorcerá a verdade hoje? Muito provavelmente porque sempre se fez isso ao longo da vida. Então, pergunto-me, de onde vem o "tal" prestígio? De uma vida de mentira, feita de retalhos compostos por uma comunicação social "amiga"?
Triste sociedade, a nossa!

Publicado por ecos em dezembro 30, 2005 02:05 PM
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