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Como os terroristas que se reclamam islâmicos não são reconhecíveis, nem integráveis, nem convertíveis, resta aniquilá-los e a Europa caiu na armadilha que eles montaram de aceitar que uma guerra de vida ou de morte do seu modelo civilizacional se trave no seu território. Esta é uma armadilha fatal, sem saída, porque os europeus e os seus dirigentes não podem e não querem assumir as consequências de anunciarem uma guerra com motivações religiosas, nem uma guerra de aniquilação, que é do que verdadeiramente se trata e que todos temos no subconsciente. Guerras religiosas e de aniquilação trazem com elas velhas memórias europeias que ninguém parece ter coragem para afrontar e assumir.
Por isso, por falta de coragem, a Europa está atada de pés e mãos. É este o busilis da questão, e as fanforronadas que têm surgido na boca de alguns dirigentes europeus e nalguma comunicação social a propor polícia onde devia existir política só podem conduzir a Europa ao impasse total num ambiente de violência generalizada.
Que fazer politicamente para sair desta armadilha?
Procurar por todos os meios colocar o terrorismo que se reclama do islamismo no mundo islâmico, porque é dentro dele que as contradições entre os que aceitam os outros e os que os recusam têm de ser dirimidas. Não é fácil, mas tem de ser tentado e é na concretização deste objectivo que a política deve ter o seu primado, definindo e assumindo a Europa política e ideologicamente ao redor dum tronco comum pré-existente, afirmá-la como o lugar de exercício obrigatório dos direitos e deveres da cidadania resultantes da sua história. [...]
Más receitas e velhas memórias, por Carlos Vale Ferraz (necessária assinatura electrónica)
Publicado por ecos em julho 16, 2005 12:21 PM