Navego todos os dias na rede das redes. Um clique aqui, outro acolá, fazendo selecções por vezes orientadas, outras, um pouco ao acaso. Àquele texto interessante a que quero aceder, para o qual fui alertado por um amigo ou que vi referido num blogue, só se acede após registo, felizmente gratuito! Vai de preencher mais um formulário com mais alguns dados pessoais. As minhas pesquisas constantes são efectuadas no Google, que também me fornece correio electrónico gratuito através do Gmail (uma caixa enorme, e gratuita!). Ah! O admirável mundo novo!
Não penso continuamente nesse rasto que vou deixando, amodorrado na conveniência de ter "tudo" ao alcance dos dedos. Como poderia viver sem acesso à rede? Como poderia trabalhar?
Pois é! Estou anestesiado e, não fosse o filtro da SPAM da aplicação de correio, já me teria interrogado sobre aquele anúncio tão oportuno sobre ... que recebi um dia destes. Troco a minha privacidade pela conveniência. Estarei a fazer bem?
Um artigo do Expresso de hoje (Revista Única) alerta-nos a todos para esta realidade, que ainda está na sua infância. Uma citação pode ajudar a situar o problema numa perspectiva mais geral:
[...] Mesmo que a nossa informação não seja flagrantemente mal utilizada, poderemos começar a pensar duas vezes antes de fazer qualquer coisa que alguém possa considerar censurável, ou mesmo renunciar a defender aquilo em que acreditamos. «Cada geração poderá sentir-se cada vez mais à vontade com a falta de privacidade, de modo que acabaremos numa sociedade onde toda a gente pode descobrir tudo sobre nós. Quando isso acontecer, teremos de perguntar o que acontecerá à divergência, mesmo numa sociedade livre», avisa o professor Kang, da UCLA.
[...]
(acesso por assinatura electrónica)
Ver também o anexo, relatando experiências de gente mais jovem:
Ana [e] Henrique não têm medo da Internet
... em geral e o blogosférico em particular: uma entrada em que se diz (quase) tudo, bem mais interessante que a "vexata quaestio" da fauna abruptamente presente/ausente.
De longe, a melhor e mais inteligente piada sobre as "estórias" dos deputados da Nação:
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL*
PS [1/5/06; 19:27]: a piada acima referida foi, aparentemente, um "eco" desta: retratos do trabalho em lisboa, portugal (eco, aqui, não significa plágio; apenas uma aparente coincidência (e uma glosa com o nome do blogue, claro))
Escola para escritores aprenderem a não dar erros
A segunda parte do artigo:
A HISTORY OF THE CAR BOMB (Part 2) - Car bombs with wings
Apesar de tudo, o que tem sido revelado é a grande fraqueza da União, nomeadamente que para muitos daqueles que andam nas ruas, em oposição às elites políticas, o processo de integração não é mais uma causa e, por isso, a União tem falta de uma alma. A União nasceu ou por razões negativas — prevenir conflitos — ou por razões materiais — aumentar a prosperidade. Os gregos e os romanos desafiavam as ideias do estado de direito e da liberdade política perante o despotismo. A Europa, na Idade Média, era sinónimo de Cristandade. De 1500 a 1914, foi fonte de progresso social e científico. estava-se preparado para morrer pela liberdade em Maratona ou na Bastilha, pela Cristandade em Poitiers, Jerusalém ou Lepanto, ou na fogueira, por versões diferentes da mesma, na Basileia e Spitalfields, e por espalhar o Evangelho além mar. Mas onde estão hoje aqueles, prontos a sacrificar as suas vidas pelo materialismo do mercado social e pela burocracia que o organiza?
A. Alcock. História concisa da Europa - Dos Gregos e Romanos à actualidade. Publicações Europa-América, 2005, pp. 312-313.
PS: apesar de a mensagem ser perceptível, este é um exemplo claro da razão da minha preferência por ler na língua original; a tradução não se recomenda, mas enfim.
Parem por um momento e pensem no que significa o fecho das escolas primárias e das maternidades para as populações escassas de muitos dos nossos concelhos. Um sinal claro de que não vale a pena viver aí, não obstante as estradas, as piscinas, a banda larga e outras modernices. Contra factos não há argumentos!
Um artigo difícil de digerir, que descreve um mundo que parece muito distante. Até que nos bate à porta:
A HISTORY OF THE CAR BOMB - PART 1: The poor man's air force
Ainda por aqui ando, lendo e observando mais do que tentando por neste diário virtual o que me vai passando pela cabeça. Instalou-se em mim uma apatia que não consequi vencer (até hoje). Entre as lentas melhoras do olho direito e uma ocupação acima do normal com outras matérias, tudo contribui para o desprezo a que tenho votado este meu espaço. A provincia vai bem e recomenda-se, agora que tenho com ela um contacto mais intenso devido à frequência dos transportes públicos a que me obrigo. Quase podia substituir a leitura da imprensa diária pelo escutar das conversas dos meus companheiros de viagem; de facto, mais das companheiras, que são bem mais vocais. Mas isso fica para outro dia, porque a razão desta entrada foi o texto que me despertou a vontade de aqui deixar um pequeno contributo:
Ora leiam o também regressado "Velho da Montanha".