Se acreditarmos no artigo hoje publicado no Expresso, a morte do Bloco de Esquerda tal como o conhecemos vai ser anunciada no próximo fim de semana. Aparentemente, vai transformar-se em mais um partido cinzentão, com os "tiques" característicos. Um excerto do artigo ilustra esta "profecia":
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A outra moção, intitulada «Por uma Plataforma de Democracia Socialista», pelo contrário, desconfia do poder e critica aos actuais dirigentes do BE a «postura de divórcio crescente entre a direcção executiva, e um círculo estreito de outros activistas ‘influentes’, por um lado, e o resto da organização, por outro». Sem primeiras figuras entre os subscritores, é defendida por «uma federação de descontentes, que não tem unidade nem peso dentro do BE», na opinião de um dirigente ouvido pelo EXPRESSO.
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BE entroniza Louçã (assinatura electrónica necessária)
O que é ou não mais um artigo de conveniência, à disposição para qualquer situação? Sem mais comentários:
Justiça britânica aprova recurso a "bebés-medicamento"
(de acesso livre, apesar de ser do Público)
Ultimamente, tenho andado com outras preocupações. Preocupações essas que me fazem ter menos tempo para blogar, tanto para "varrer" as novidades nos blogues amigos como, principalmente, para escrever textos novos para o Ecos. No entanto, aproveitando o feriado de hoje estive a por a leitura dos jornais em dia e encontrei um texto que gostaria de partilhar com os leitores. Infelizmente, é proveniente do Público, que só é acessível por assinatura. Por isso, deixo aqui um excerto da parte mais significativa, para mim, do mesmo artigo:
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Enfim: que tem ele de comum com o filósofo alemão Jürgen Habermas, o "ateu metódico" com quem debate a secularização ou os dilemas da bioética? A questão dos valores. Para Habermas, o cristianismo é o fundamento último da liberdade, dos direitos humanos, da democracia, em suma, da civilização ocidental. "Não dispomos de opções alternativas. Continuamos a alimentar-nos desta fonte. Tudo o mais é palavreado pós-moderno."
Perante o rolo compressor da globalização, diz Habermas, é fulcral preservar "os nossos recursos culturais e morais, que estão na base da convivência e da sociedade civil. (...) Os Estados liberais têm interesse em salvaguardar estes recursos, dos quais a religião faz parte." Mas "os contributos da religião têm de ser traduzidos em linguagem laica para poderem agir sobre as decisões juridicamente vinculativas para os cidadãos."
Se a Igreja reage à modernidade, o mundo "laico" mostra-se hoje incapaz de responder aos seus desafios éticos.
Bento XVI, equívocos e perplexidade, por Jorge Almeida Fernandes
Assistir a uma leitura de sentença num tribunal pode ser uma experiência interessante. Interessante na medida em que o juíz assume, muitas vezes, a atitude de ser uma parte no processo, uma testemunha oculta que, do alto da sua tribuna, tudo viu e tudo percebeu. Descreve o que "efectivamente" se passou no caso que motivou o julgamento, com uma independência da matéria provada em tribunal que assusta o comum cidadão. Para arredondar o discurso, junta geralmente umas advertências que, supostamente, se dirigem ao arguido do caso em apreço, mas cujo texto soa como "reciclagem" de outras sentenças.
O comum cidadão não poderá contestar efectivamente tais decisões porque o defensor, muitas vezes oficioso, corre o risco de passar por um "acerto de contas" da próxima vez que estiver na sala com o mesmo juíz. Isto, naturalmente, independentemente da situação do infeliz arguido do caso em que as "contas" se acertam.
Também naturalmente, quando o arguido é pessoa de posses e o defensor pessoa com créditos firmados na praça, já a questão é outra, tomando o juíz e o defensor um cuidado especial para resolverem o assunto com aqueles artifícios processuais cujo resultado habitual é a anulação do processo, desse modo evitando um conflito aberto na sala do tribunal. Ou, em alternativa, o prolongamento "ad infinitum" do processo de recurso em recurso até ao arquivamento/amnistia/prescrição final.
Vem este texto a propósito do artigo de opinião de Helena Matos no Público de hoje (só acessível por assinatura), cuja leitura recomendo vivamente a quem se interessa pelo curso da justiça em Portugal. E recomendo a leitura também a quem tem a tarefa de julgar, porque me parece que, muitas vezes, se esquece, na sala do tribunal ou no remanso do gabinete, que a percepção pública da administração da justiça é um factor importante da sua eficácia prática. Deixo aqui um excerto do artigo acima referido:
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Fechados na torre de marfim dos códigos, os juízes são capazes de decisões profundamente injustas nas questões que mais afectam as pessoas. De que serve discutir os direitos dos cidadãos mais o papel da justiça nas sociedades democráticas, em colóquios e seminários, se depois se condena a cadeia uma pessoa por não ter conseguido pagar por inteiro os 135 euros de uma multa que, note-se, o condenado propôs pagar em prestações? De que serve garantirem-nos mil direitos quando nos podem tirar, num segundo, as crianças com quem vivemos há anos, que consideramos filhos e que só não adoptámos porque os mesmos tribunais não deixaram?
À desproporção e desrazoabilidade das medidas que recaem sobre o cidadão comum junta-se um sentimento de inoperância na área criminal. Quando se passa para o crime somos regularmente confrontados com notícias que dão conta da anulação de julgamentos por erros processuais. [...]
Os laços biológicos da justiça
PS: Há, felizmente, juízes a quem o texto acima não se aplica. A percepção pública tende, naturalmente, a reforçar os sinais negativos em detrimento dos positivos, quase sempre ignorados por não constituirem notícia.
Estive por uns tempos sem disponibilidade bloguística. Os afazeres da minha outra vida, a que não se passa na frente de uma pantalha e de um teclado, impediram uns momentos de procura de temas que justificassem a atenção de um texto. É tão mais fácil o comentário descomprometido nos blogues de outrem! Nada que não se possa remediar sacudindo a modorra que se vai instalando, sorrateira.
Entretanto, chamaram-me a atenção para um texto sobre a arte de blogar, o seu sentido, a imagem que quem bloga tem de si e do seu público. Apesar de cáustico, é uma leitura que serve para reflectir sobre o significado deste acto de blogar. Peço antecipadamente desculpa aos leitores que não são adeptos da língua de Sua Majestade:
Confesso ter hesitado bastante em escrever algo sobre a morte do Papa (como hesitei em relação a comentar o assassinato de Terry Schiavo). São acontecimentos que me tocam profundamente e sobre os quais tenho dificuldade em me exprimir. A comoção embarga necessariamente as ideias e o fluxo de texto não sai naturalmente, até porque nada me parece adequado.
No entanto, encontrei um excerto de texto que seria um epitáfio adequado, na sua simplicidade, para este Papa:
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Esses valores, que muitos acusaram João Paulo II de ter defendido de forma especialmente ortodoxa e conservadora, mais do que serem praticados com rigor por todos aqueles jovens, eram por eles entendidos. Como na altura disse um dos peregrinos portugueses, o facto de nem sempre seguir os ensinamentos do Papa não o levava a pensar que este devesse deixar de os pregar porque a Igreja tinha de ser mais exigente e conservadora, não devia andar a fazer experiências. Ou seja, aceitava que lhe fosse apontado um caminho mais rigoroso do que aquele que seguia, mas que lhe servia de referência.
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Atracção com causa, por JMFernandes, no Público de hoje.
Um artigo de opinião, contundente, de ZIta Seabra sobre a posição do PS em relação ao aborto:
Aborto: o PS escolheu o caminho fácil