fevereiro 27, 2005

Marcante

Um adjectivo que se aplica a uma figura pública que nos acompanha nos últimos 26 anos serve hoje de título a esta entrada. Falo de João Paulo II. Antes de ser um protagonista global, ao ser eleito Papa, teve um trabalho notável na sua Polónia natal, tanto a nível pastoral como académico, acompanhando e apoiando a revolução gradual que determinou o fim da influência soviética naquele país e, por arrastamento, no resto dos países do Pacto de Varsóvia (cf. a biografia "Witness to hope" (2001), por GWeigel (Cliff Street Books)).
Após um pontificado marcado por uma produção notável de documentos e por inúmeras viagens, João Paulo II é um homem profundamente doente, sofrendo os tempos finais de uma vida cheia. Assisto às notícias diárias sobre a evolução do seu estado clínico sempre admirando a força com que resiste há tanto tempo. Numa altura em que se advogam soluções "fáceis" para problemas humanos, aparentemente seria mais fácil retirar-se de cena. Mas escolheu servir para a vida, toda. E nem o ter atingido o posto mais alto da Igreja Católica o demove. Fica o exemplo.

Uma outra visão sobre a matéria é a de RDahrendorf, no Público: O crepúsculo de um pontífice.

Publicado por ecos à(s) 10:40 AM | Comentários (2)

Futuros

Agora que a euforia eleitoral acalmou e se pode olhar em frente com alguma serenidade, verificamos que estamos todos dependentes das escolhas de JSócrates. Muito se joga nessas escolhas, já que o futuro é independente das loucas promessas eleitorais. Os nomes e a organização ministerial serão dados preciosos, assim como a vontade de reformar efectivamente, antecipável pela participação ou não dos lobies do costume no governo. Joga-se aqui o destino colectivo, um passo certo para um futuro melhor ou uns anos de desperdício na voragem da política suja.

Dito isto, concordo substancialmente com a análise de ABarreto no Público de hoje: Querer. Poder. E saber

Publicado por ecos à(s) 10:17 AM | Comentários (0)

fevereiro 23, 2005

4000!

Um ano e uns dias depois, o contador do SiteMeter dobrou finalmente o cabo das 4000 visitas. Que fascinação temos com os números terminados em três zeros, como SJGould referia em "Questioning the Millennium". Enfim, é um número bonito para um blogue individual, que não cultiva questões fracturantes nem tolices sem sentido.
Diria a Ti Graça das Covas, se ainda fosse viva, em discurso directo e com uma expressão impossível de transmitir por escrito: "Uns vão devagar; outros depressa; mas no fim, chegam todos ao mesmo sítio".
Ah! a sabedoria popular.

Publicado por ecos à(s) 10:20 PM | Comentários (1)

fevereiro 21, 2005

Blogoesfera

Uma análise da Marktest ao acesso aos blogues por parte dos internautas portugueses.

A blogosfera em 2004

Publicado por ecos à(s) 07:04 AM | Comentários (1)

fevereiro 19, 2005

Devo ter lido mal ...

Sindicatos dos professores protestam porque o director regional de Educação do Norte não acha bem que utilizem os períodos de aulas para reuniões sindicais. Magno problema! Curiosa atitude esta dos sindicatos, que demonstra que estão mais interessados no seu umbigo do que na profissão que representam, com todas as responsabilidades inerentes. Querem ser levados a sério ou pretendem manter-se fossilizados?

Professores Queixam-se de Obstáculos à Participação Sindical

Publicado por ecos à(s) 08:20 AM | Comentários (0)

fevereiro 18, 2005

Realidade x Ideias

Independentemente de todas as simpatias ou antipatias que nos gerarão os actuais protagonistas do momento político, a questão de fundo que está por detrás é diferente. O que permite que homens "light", sem um projecto consistente, vivendo da ilusão dos media, encabecem os principais partidos tem a ver com a falta de projecto global da sociedade portuguesa. E, por consequência, com a falta de projectos definidos por parte dos partidos.

Com alguma coincidência com o pensamento de José Gil, Eduardo Lourenço explora hoje, no Público, a componente cultural da esquerda portuguesa ao longo dos últimos trinta anos:

[...]
Recentemente, um dos mais brilhantes cronistas da sua geração, Pedro Mexia, congratulou-se com a emergência de uma nova cultura de Direita, capaz de quebrar o monopólio que ele atribui, tomando o todo pela parte, à cultura de Esquerda. O seu diagnóstico é certeiro, se subtrairmos a essa virtual da cultura de esquerda quase tudo o que nela relevaria de uma cultura realmente inspirada num socialismo democrático. Não é que não exista, mas, pela natureza das coisas, incodificável como a liberdade mesma que a inspira, essa outra prática cultural não tem, nem podia ter, expressão coral tão típica da cultura representativa do PCP. Infelizmente, também não tem outra que consiga impor, de maneira relevante, na cena portuguesa, essa paixão da liberdade que devia demarcá-la de maneira criadora do laço fatal de uma Cultura como serva da Política ou por ela fascinada, e não sua inspiradora e, sobretudo, crítica. [...]

Intelectuais, Democracia e Socialismo

Publicado por ecos à(s) 07:32 AM | Comentários (2)

fevereiro 17, 2005

Deveres

Lembra-nos PStrecht que faz parte dos deveres de quem vota zelar, nesse acto, pelos interesses de quem não o pode fazer. Nas suas palavras:

[...]
Mas quem deles cuida, quem para eles olha, quem neles repara, quem os ouve, quem com eles fala, quem os valoriza ou ama, sabe o que eles esperam de nós: que alguém os defenda nos seus interesses e os coloque, apenas, a existir na cabeça de quem decide uma série de coisas que lhes são fundamentais.
[...]

Não votam?

Publicado por ecos à(s) 07:21 AM | Comentários (0)

fevereiro 13, 2005

Um ano de Ecos

Distraído com outras coisas (viver no campo tem outros encantos), deixei passar a data. Foi há três dias que fez um ano que comecei esta aventura do blogue.

Está diferente daquilo que era há um ano. Comecei mais negativo, mais crítico, com intervenções frequentes de personagens reconstruidas de um quotidiano aldeão e isolado. A sua virtualidade ligava bem com este meio virtual de comunicar.

Pelo meio, travei conhecimento com alguns companheiros de caminho. Não cesso de me surpreender com a facilidade com que se comunica por aqui, nem com aquilo que se comunica.

Este não é um blogue tremendamente popular; não chegou sequer às 4000 visitas pela definição do SiteMeter. Mas que importa! Foi a minha primeira experiência e não me arrependo. Está sempre à mão para um qualquer desabafo ou para o destaque de alguma coisa que me atrai na imprensa ou nos blogues.

O caminho para o segundo aniversário já leva três dias e conto lá chegar, com a ajuda dos poucos que por aqui passam.

Publicado por ecos à(s) 06:09 PM | Comentários (4)

fevereiro 12, 2005

Ai Portugal, Portugal...

(Desde já declaro que não sou accionista do Público; com este, já lá vão três artigos citados da edição de hoje)

Helena Matos fala-nos hoje de estrelas, de alguma maneira glosando o dito de estar o "destino escrito nas estrelas". Não é possível olhar hoje o país sem uma comiseração disfarçada por algum humor desencantado. Há, nas entrelinhas, um apelo à consciência de cada um, um salientar que o nosso futuro colectivo a longo prazo nada tem a ver com as nossas comodidades individuais nos tempos mais próximos.
Destaco especialmente a nota sobre a transferência das nossas culpas individuais no estado da sociedade portuguesa para os protagonistas actuais do circo mediático a que vamos assistindo. E do perigo que encerra essa transferência. Temos os políticos que fazemos por merecer!

Padecimento lusitano

Publicado por ecos à(s) 09:49 AM | Comentários (1)

Desconstruções

ASSilva oferece-nos hoje, no Público, uma análise fria do problema das esquerdas em Portugal. Abstraindo-se da campanha eleitoral e da sua própria posição política, sobejamente conhecida, deixa-nos várias interrogações sobre a impossibilidade de um projecto consensual à esquerda para o país. Esse é, no fundo, o único objectivo válido e, por oposição, exactamente aquele que não parece interessar aos intervenientes.

A Esquerda Democrática Dispensa Tutores

Publicado por ecos à(s) 09:33 AM | Comentários (0)

Notas de campanha

É o título de um artigo de Eunice Lourenço no Público de hoje. Não que me interesse muito a campanha em si. A minha decisão está há muito tomada e já foi exposta anteriormente. O ponto 2 do artigo é uma análise lúcida sobre a intervenção da Igreja Católica na sociedade, posta em causa mais uma vez pelos que se arrogam de uma superioridade moral baseada em nada. Tenho pena de não ter visto a entrevista de Constança Cunha e Sá a Louçã, mas, pela amostra, parece-me que a estrela vai empalidecendo a olhos vistos.

Notas de campanha

Publicado por ecos à(s) 09:14 AM | Comentários (0)

fevereiro 09, 2005

As alternativas

Um excelente texto, que encontrei via Professorices, faz uma análise pertinente e desapaixonada do actual momento político:

As alternativas

Publicado por ecos à(s) 06:41 PM | Comentários (0)

Os temas fracturantes

Para ler e reflectir, o texto da carta da leitora Ana Maria Marques no Público de hoje, onde pergunta se faz sentido começar discussões pelo topo: Clássico Social.
Não há como chamar os "bois pelos nomes", ou chamar falaciosa a posição de certa esquerda, a mesma que se incomoda extremamente quando alguém assume plenamente a doutrina social da Igreja.

Publicado por ecos à(s) 07:37 AM | Comentários (0)

Blogues e imprensa

Ter-se-á o Público rendido aos blogues? Aparentemente, há uma coluna diária escrita por um bloguista desde há uns dias no jornal (e. g., Blogspot.com).
O título da coluna é injusto para com Paulo Querido e o seu Weblog.com.pt, mas enfim.

Publicado por ecos à(s) 07:24 AM | Comentários (0)

fevereiro 08, 2005

fevereiro 05, 2005

De outras eleições

Um interessante paralelo entre as eleições iraquianas e as nossas eleições para a Assembleia Constituinte, por Helena Matos. Definitivamente, matéria de reflexão.

O Jogo das Eleições

Publicado por ecos à(s) 08:16 AM | Comentários (0)

Debate sobre o debate

Não vou comentar o debate Santana-Sócrates porque não o vi. Recuso-me a perder tempo com semelhante actividade. Não sou masoquista.
Dito isto, há sempre muitas adições aos debates depois dos mesmos terem acontecido. Uma delas, referente ao supracitado, merece-me hoje o destaque: a de ASSilva no Público, como bom sociólogo que é.

Do Fingimento

Publicado por ecos à(s) 08:06 AM | Comentários (0)