O alerta vem de Vaclav Havel. Com a sua experiência, sabe do que fala. Que futuro nos reserva uma Comunidade Europeia cuja falta de valores conduz a esta situação? Afinal, quem vem primeiro, as pessoas ou os interesses?
Serve esta entrada para agradecer a uma leitora fiel a sugestão de leitura que me fez. Instalado confortavelmente, no quentinho, deixei a voz de Diana Krall dar um fundo musical a uma viagem virtual à Revolução Científica dos sécs. XVII e XVIII, guiado por SJGould, no seu último livro "The Hedgehog, the Fox, and the Magister's Pox".
Bate a televisão aos pontos, de longe.
Um testemunho notável, o de Graça Franco, no Público, sobre a saída pela esquerda baixa de FLouçã, que não resistiu, mais uma vez, à sua "superioridade moral":
Assinalo hoje o artigo de opinião de Augusto Santos Silva no Público. Quando se "afasta" das opiniões institucionais do PS e escreve por si, ASSilva é de uma clareza extrema e dá gosto lê-lo.
O Debate Não É Só Entre Os Partidos
Uma pessoa de idade, chamemos-lhe Sr. C., vai fazer um exame médico de rotina. A demora na saida da sala de exames chama a atenção da pessoa responsável, que entra e encontra o Sr. C. meio atravessado na marquesa, após uma sincope. O Sr. C, sem pedir ajuda, ergueu-se do chão pelos seus próprios meios e repousa agora na marquesa com escoriações da face e mão resultantes da queda. Chama-se o INEM, contra a vontade do Sr. C., que vai protestando debilmente que o deixem repousar um bocadinho, que depois ele lá irá à vida dele. A equipa do INEM chega, faz a avaliação do estado do Sr. C. e decide transportá-lo para as urgências hospitalares. O Sr. C., numa cadeira de rodas e já a soro, sai pedindo desculpa pelo incómodo que causou.
Hoje "roubei" descaradamente um dos títulos marca de JPPereira, no Abrupto. A razão foi um seu artigo, publicado no Público, sobre o programa com os "senadores" do regime. Vale a pena reflectir sobre as causas profundas da sucessiva perda de influência do poder político na sociedade portuguesa, ao ponto de hoje em dia ser pouco mais que um circo. Com a agravante de não se prever que a situação mude depois do dia 20 de Fevereiro.
Numa entrevista na Pública: Vivemos Paralisados pela Inveja.
Acontece aos melhores. Agora, vou seguir o sábio conselho popular do "abafa-te, abifa-te e avinha-te". Este último é um pouco difícil de seguir, já que o sentido do gosto não fica muito apurado nestas circunstâncias.
No Público: Blogosfera Volta a "Fiscalizar" o Estado
Recebi esta noite, como muitos portugueses certamente, uma mensagem electrónica de JSócrates. Um texto pc (politicamente correcto), sem nada a apontar, convidando à participação nas novas fronteiras ou na campanha eleitoral. Como não me parece adequado gastar largura de banda com uma resposta que não vai ser lida, deixo aqui uma sugestão ao engenheiro: que leia o livro mencionado na entrada anterior. É um contributo importante para pensar Portugal e tem a enorme vantagem de não ter sido produzido para uma campanha eleitoral.
Estendo naturalmente a sugestão aos outros candidatos, do PS ou de outros partidos.
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Não há debate político: nem sequer na televisão que cria um espaço artificial, com regras predeterminadas, que limitam a espontaneidade das intervenções, o acaso, e a participação desse "fora" [*] que faz toda a riqueza da expressão pública. Nos jornais e na rádio, os debates confinam-se a trocas de opiniões e argumentos entre homens políticos, sempre de um partido, visto que no mundo da política não há lugar para independentes, ou entre comentadores, pretensos "opinion makers" que dialgam constantemente entre si, em círculo fechado. Muitos dos políticos são também comentadores, fazem o discurso e o metadiscurso, o que suscita um círculo abafador e redudante: sempre as mesmas vozes e a mesma escrita nos mesmos tons, com os mesmos argumentos, com o mesmo plano de sentido, como se as ideias políticas se reduzissem a um empirismo sociológico de estratégias partidárias.
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José Gil, 2004, Portugal, hoje. O Medo de Existir, Relógio D'Água, pp. 25-26.
[*] "fora" é usado no sentido de "exterior", não de plural de forum; chamo a atenção porque cometi esse erro.
Uma entrada lapidar de Vasco Pulido Valente no Público, que poderia ser intitulada "Será que querem mesmo salvar a Pátria?":
"Não Vamos Lá"
PS: passe o lapso freudiano de entrada no Público; os blogues estão mesmo a ficar importantes...
De Santana Lopes não vale a pena dizer nada. Não gosto de "bater no ceguinho". O que me custa verdadeiramente é que não exista alternativa credível ao centro, com a excepção da abstenção ou do voto em branco. Porque pensamento de Sócrates, só se conhece o do filósofo grego.
Ver também O homem de plástico, no Expresso (necessária assinatura electrónica).
Dois artigos de opinião no Público, a merecer reflexão:
JPPereira, Cultura e Civilização;
PStrecht, Ouçam (A Voz da Esperança).
Estava eu, já quase em desespero, à procura de algum texto ou ideia para abrir o ano em beleza (ver diálogo na entrada anterior), quando deparo com este artigo de opinião de Luís Fernandes (O discurso do método). Uma citação, para aguçar o apetite:
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E se começássemos por tentar antes resolver coisas simples, dessas em que ninguém pára para pensar? Seria um 2005 melhor? É que responder às pequenas questões que parecem sem importância cria um método de raciocínio que podemos depois ir transferindo sucessivamente para questões mais complexas.
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