dezembro 27, 2004

Mensagem de fim de ano

[...]
Yes, the only real hope of people today is probably a renewal of our certainty that we are rooted in the earth and, at the same time, the cosmos. This awareness endows us with the capacity for self-transcendence. Politicians at international forums may reiterate a thousand times that the basis of the new world order must be universal respect for human rights, but it will mean nothing as long as this imperative does not derive from the respect of the miracle of Being, the miracle of the universe, the miracle of nature, the miracle of our own existence. Only someone who submits to the authority of the universal order and of creation, who values the right to be a part of it and a participant in it, can genuinely value himself and his neighbors, and thus honor their rights as well.
[...]

Vaclav Havel, Filadélfia, 1994 (THE NEED FOR TRANSCENDENCE IN THE POSTMODERN WORLD).

Publicado por ecos à(s) 12:00 PM | Comentários (4)

dezembro 23, 2004

É Natal ...

É Natal...
Nasceu uma criança
e com ela o sonho feito vida
de qualquer pai, o desejo de ser
e de ter com ela um espelho
de um mundo melhor.
Quando nasce uma criança
há sempre uma ternura
que flutua, um cheio que paira no ar
a luz de uma manhã coada
quando, depois da noite, dois corpos
acordam de uma noite de amor.
Quando nasce uma criança
o dicionário dos pais muda
há novas letras a correr, a dançar
de uma forma nunca vista,
palavras inscritas em páginas até aí
deixadas em branco por um mundo
feito tão de esperança como de medo,
tão vestido de morte como de vida,
respirando tanto ódio como destilando paz.
Quando nasce uma criança
o tempo pára e, sobre ela,
uma estrela indica o caminho
ou muitos caminhos para quem a ama
e a quer visitar com a doçura de uma prenda
ou o calor de um abafo.
Quando nasce uma criança
do escuro brotam cores, formas
e qualquer canto que seja
merece respeito, afecto, toda a atenção
esquecida pelos gumes da vida,
os espinhos, os cantos que enganam
e fazem da existência de tantos
uma só expressão, solidão.
Quando nasce uma criança
é Natal e com ela todas as outras crianças
são recordadas, assim, de uma só vez
bem como aqueles de quem o mundo
esqueceu ou fez frágeis,
ou que esperaram sozinhos
por um momento de afago
ou ainda, pelos que calados vieram
e assim ficaram, até ao dia,
porque nisso, há sempre um dia,
em que, de longe, alguém veio
para dizer presente e lhes deixar
aos pés, a oferta de um reconhecimento.
O Natal é, por fim, em cada dia,
a falta que faz quem gostamos
ou os enfeites que devíamos pôr na vida
as boas surpresas que temos de abrir
sempre que alguém as mostra
no mais banal gesto de dia-a-dia,
coisas tão bonitas como uma flor
o desenho do filho trazido da escola,
a música que agora aqui passa,
o correr da água,
tu,
ou alguém a dizer "eu amo-te".
O Natal é o eterno bebé que espera,
envolto em todo o carinho
(e o seu sorriso não mente),
que alguém o olhe e lhe diga
"vem comigo, és meu."
Por isso, o Natal é, enfim
a força imensa que alguém pode ter
quando ao olhar para o seu filho,
afinal, a eterna criança
(a de agora, a de antes, a do futuro),
adormecer em encanto depois de dizer
"eu não te esquecerei jamais."

(PStrecht, no Público)

Publicado por ecos à(s) 10:48 AM | Comentários (3)

dezembro 20, 2004

Reflexão

É o convite que Mário Pinto faz no seu artigo de opinião no Público de hoje. Porque viver é mais do que assegurar a cama, a mesa e a roupa lavada, independentemente do luxo das mesmas (O Direito à Esperança).

Publicado por ecos à(s) 07:25 AM | Comentários (0)

dezembro 16, 2004

O importante primeiro

O artigo de Roberto Carneiro no Público de hoje (A Criança Primeiro: Reflexões Sobre a Casa Pia de Lisboa) interpela-nos sobre as nossas responsabilidades colectivas relativamente às crianças abandonadas. Porque não basta dizer que "o Estado" que tome conta delas.

Publicado por ecos à(s) 07:30 AM | Comentários (0)

dezembro 14, 2004

Demagogias

Reportagem nos telejornais do actual líder do PS em visita pelo país.

A comparação: o "hospital" de Cantanhede e o centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
A ideia: mostrar o melhor e o pior na saúde em Portugal.
As falhas: a distância entre Cantanhede e Coimbra (25 km); o novo Centro de Saúde de Cantanhede, mesmo ao lado do "hospital".
A conclusão: devem pensar que somos estúpidos.

Publicado por ecos à(s) 08:48 PM | Comentários (0)

dezembro 12, 2004

Pais adiado

Apesar do seu tom, a roçar o apocalíptico, a análise de ABarreto que o Público hoje nos revela (Prazos e Processos) refere um problema que a república não quer (ou não sabe) resolver: a questão dos prazos que delimitam as crises políticas. Várias perguntas me ocorrem sobre a situação que vivemos hoje:

Pode o país esperar por prazos constitucionais ridículos e viver à deriva mais de dois meses com um governo limitado/de gestão que ninguém sabe muito bem o que é e o que pode fazer?

Pode o país viver à espera do (nem de propósito, dada a escolha de datas) carnaval político que se vai seguir, refém de estratégias partidárias para as quais o interesse do país vem sempre em último lugar?

Pode o presidente da Comissão Europeia dormir descansado à noite com a sensação de dever cumprido?

Pode o presidente continuar a representar o papel de árbitro impoluto numa situação em que foi um dos principais responsáveis?

E respostas:

Claro que tudo isto pode acontecer simultaneamente. Desde que o país se chame Portugal e estejamos no final do ano de 2004. Já pensaram quais vão ser os vossos desejos de Ano Novo?

PS: ver também o artigo de VPValente no mesmo jornal (UMA HISTÓRIA PORTUGUESA).

Publicado por ecos à(s) 10:20 AM | Comentários (3)

dezembro 11, 2004

Mundovisões

Não é preciso viver na província para descodificar bem os códigos do PC (politicamente correcto), como bem demonstra Manuel Brás, de Lisboa, na sua clarividente carta publicada no Público de hoje (Eutanásia e Utopias).

Publicado por ecos à(s) 03:31 PM | Comentários (0)

dezembro 09, 2004

TVs

A abordagem de PStrecht à programação televisiva e a sua influência nas crianças e adolescentes é um estímulo para a reflexão que todos temos que fazer sobre a matéria (Boas Notícias).

Publicado por ecos à(s) 08:08 AM | Comentários (0)

dezembro 05, 2004

Quebras na rotina

Estive ausente uns dias, durante os quais fiz férias do país real (?). Nem politiquices, nem "futebóis" (bom, espreitei qualquer coisinha, porque, aparentemente, só numa ilha deserta não há acesso à "internet"). Foi um pouco como estar no estrangeiro: só acaba por chegar o verdadeiramente importante. E não se passou nada de verdadeiramente importante.
Este distanciamento é fundamental para adquirir uma perspectiva diferente dos factos, para meditar e ensaiar novas ideias, num processo de renovação interior que é essencial para manter a cabeça no lugar.
Foi bom encontrar alguns velhos amigos, daqueles que se cruzaram na minha vida durante um tempo e cujas vidas os levaram para lugares distantes. Foi bom começar uma longa conversa no ponto onde se deixou há uns anos, como se o tempo não tivesse significado. Foi bom sentir que ideias que germinavam silenciosamente há algum tempo, saltaram para a ribalta sob o efeito catalítico da amizade e da vontade de deixar uma marca. Foi bom.

Publicado por ecos à(s) 10:11 AM | Comentários (0)

dezembro 01, 2004

3000!

Mesmo a meio de mais um carnaval político da república ...
Se não fosse uma data marcante, nem valia a pena celebrar!

Publicado por ecos à(s) 11:03 PM | Comentários (0)