julho 31, 2004

O mito da consensualidade

Quando se tem a responsabilidade pelos destinos de um país, há que escolher entre alternativas na contínua necessidade de reformas que o país necessita. Por vezes, é necessário um consenso alargado entre as mais importantes forças políticas, para garantir o avanço das reformas em causa. Por vezes, é necessário um rasgo de inspiração para se cortar com o passado e com a tentação de deixar tudo na mesma, caminho que se percorre quando se absolutiza o consenso; quando a conjugação de interesses díspares e de partidos inoperantes, ou por falta de ideias de fundo, ou por tentar agradar a gregos e troianos, paralizam toda e qualquer possibilidade de reforma.

Um exemplo desta situação pode ser lido em A Questão Central da Educação. Concorde-se ou não com o autor, é um assunto que merece a nossa meditação, tal a importância que tem no futuro do país.

Publicado por ecos à(s) 07:58 AM | Comentários (0)

julho 29, 2004

Campanha de (des)informação?

Chamou-me a atenção o artigo de opinião intitulado Portugal e o índice de desenvolvimento humano, publicado hoje no Público. Porque salienta uma interpretação errada, com base em má fé ou em conhecimento superficial, de dados internacionais. A quem aproveitará esta situação?
O artigo, que se desenvolve muito para além da denúncia, contém uma análise que não é nada desfavorável a Portugal como país. Ironicamente, devem ser más notícias.

Publicado por ecos à(s) 12:05 PM | Comentários (0)

julho 27, 2004

julho 25, 2004

Mudança de gerações

Muito do que se vai dizendo hoje em dia sobre a politica e os políticos reflecte uma perpectiva estática do mundo e da evolução das sociedades. Proclamam-se os valores perdidos, o patriotismo, a defesa do interesse nacional, como se nada se tivesse passado. O 25 de Abril foi há trinta anos. Por um lado, há quem ache que só um ex-preso político tem credenciais para servir o país, esquecendo-se que muitos dos actuais políticos seriam menores ou não teriam ainda nascido à data da revolução. Por outro lado, o recurso às elites, que não precisam de trabalhar para viver, como fonte inesgotável de recursos humanos tem há muito os dias contados. O interesse pessoal, egoista, cada vez mais presente em todos os estratos da sociedade, a tudo se sobrepôe. No entanto, continuamos a ler, semana após semana, artigos que invocam outros tempos e outros ideais. E que criticam tudo o que pertence ao presente em nome de um passado que já não existe. Até quando continuaremos a olhar para um mundo ideal, impossível, que nunca existiu verdadeiramente, em vez de nos perguntarmos como podemos construir uma sociedade diferente para amanhã? Porque não nos perguntamos como educamos os nossos filhos, como nos comportamos nos nossos empregos, na estrada, como participamos da vida da comunidade?

Publicado por ecos à(s) 02:17 PM | Comentários (0)

julho 23, 2004

Carlos Paredes (1925-2004)


Publicado por ecos à(s) 08:54 AM | Comentários (0)

julho 21, 2004

Produtividade

Com as férias a aproximarem-se, a frequência das entradas baixa. Assim como baixa a frequência das visitas. Desde já declaro que não vou cometer "suicídio blogueiro", acto que se deve tornar mais frequente nesta altura do ano. Aos poucos (mas bons) leitores, declaro a minha firme intenção de estar de volta em Setembro, com as energias retemperadas. Até lá, tudo vai depender do acesso a um computador com rede e da vontade de escrever coisas relevantes. Não faço tenção de andar amarrado a um portátil com cartão "wireless". Férias são férias. Vou voltar ao caderno e ao lápis, que têm a vantagem de não precisar de baterias e terem "rede" em todo o lado.

Publicado por ecos à(s) 10:33 PM | Comentários (0)

julho 18, 2004

Histerias sociais

O recente caso da suposta agressão racista em França (ver, por exemplo, FRANÇA DEVASTADA COM AS IMPLICAÇÕES DA FALSA AGRESSÃO NO METRO) chama a atenção para um problema emergente em sociedades ditas "avançadas": a criação de uma psicose colectiva relativa aos imigrantes, que tem sido sucessivamente alimentada em França por muitos intervenientes. Este caso demonstra à saciedade que a dependência do cidadão comum da amplificação dos acontecimentos pelos "media", neste caso com a contribuição de figuras políticas do mais alto nível, pode conduzir a consequências gravíssimas. Estamos, de alguma maneira, no fio da navalha.

Há uma ironia fina nas palavras da advogada da suposta agredida: "Ora, para dar credibilidade à sua mentira, Marie-Léonie "inspirou-se no que pensa ser a actualidade em França", argumenta a sua advogada."

Publicado por ecos à(s) 09:34 AM | Comentários (0)

Análise a frio

A de Augusto Santos Silva no Público de ontem, da situação política actual (E Depois do Adeus). Apesar de eu não ter muita tendência para concordar com Santos Silva, acho que os problemas que refere relativos à participação na vida pública devem ser matéria de reflexão para cada um de nós. Porque ser cidadão é mais do que permitir que outros tomem as decisões por nós.

Publicado por ecos à(s) 09:15 AM | Comentários (1)

julho 14, 2004

Universidades e imagem

[...]
Na minha perspectiva, a Universidade Portuguesa prestou um mau serviço ao que foi, e é, a questão da co-incineração. Recordo-me bem que alguns universitários e algumas universidades tiveram, nas posições que assumiram publicamente, tanta consistência científica quanto a dos comunicados das comissões concelhias dos partidos políticos.
Entendo que esta atitude é grave porque, em questões com a importância nacional que tinha e tem a co-incineração, a Universidade devia ter tido (e tinha) a obrigação de apresentar a perspectiva científica, rigorosa, que pudesse ser factor de reflexão para os decisores.

[...]

(Marçal Grilo, no livro "Desafios da Educação. Ideias para uma política educativa no século XXI", Oficina do Livro, 2002 (p. 132)).

Publicado por ecos à(s) 03:56 PM | Comentários (1)

julho 12, 2004

Serviço público

[...]
As entrevistas não são conduzidas para ouvir o entrevistado, mas para mostrar que a Estação, através do entrevistador, já sabe tudo e apenas pretende demonstrar que o entrevistado está em falta, ou porque mentiu, ou porque fez mal, ou porque não quer dizer o que fez, ou porque esconde as malfeitorias que pretende fazer, particularmente se o entrevistado tem responsabilidades políticas. O entrevistado, muitas vezes, tem como único objectivo "aparecer" e ser notado. É indiferente que o seja pelas boas ou más razões
[...]

Apesar do tom, não são palavras minhas, se bem que as subscreva. São de Marçal Grilo, no livro "Desafios da Educação. Ideias para uma política educativa no século XXI", Oficina do Livro, 2002 (p. 36).

Publicado por ecos à(s) 11:06 AM | Comentários (0)

julho 10, 2004

Candente questão

Começo a ficar cansado de comentários resumíveis a: "O Sampaio fez isso? Mas ele não era o nosso "boy" em Bélem?"
Pobre imagem da democracia, em que o eleito deve ser, para alguns, um títere.
Não admira, pois, que em Coimbra se tenha vindo a usar outra versão: "O Seabra Santos fez isso? Mas ele não era o nosso "boy" na reitoria?"
"De pequenino se torce o pepino!", como diria a ti Angélica, se ainda fosse viva.

Publicado por ecos à(s) 09:42 PM | Comentários (0)

Educação e bom senso

A recomendação da AACS à SIC, relativa ao programa "Um Sonho de Mulher" e à forma como foram (mal)tratadas as candidatas. Vamos a ver se resulta. Não é que tenha muita esperança ...

Publicado por ecos à(s) 07:31 AM | Comentários (0)

julho 09, 2004

Duas letrinhas apenas ...

É a diferença entre bestial e besta. A partir das 21:15 de hoje. O que vale é que sou monárquico!

PS: afinal, demorou menos 2 minutos que o previsto; coisas das repúblicas.

PS2: mais coisas das repúblicas: 15 dias à espera para voltar ao ponto de partida.

Publicado por ecos à(s) 09:13 PM | Comentários (0)

"Boys & girls"

Foi publicado ontem no Público um artigo curioso sobre a possível passagem a supranumerários de algumas pessoas ligadas ao PS, prestando serviço no Ministério da Educação. Abstraindo-me dos nomes envolvidos, já que todos os cidadãos têm os mesmos direitos, acho altamente irregular a citação atríbuída ao ex-ministro Augusto Santos Silva, actual porta voz daquele partido para a Educação:

"O que acontece é que há uma quebra de um procedimento de cavalheiros. Às pessoas que ocuparam funções governativas e cessaram funções, com a mudança de Governo, era-lhes concedida uma equiparação a bolseiro ou transitavam para outro serviço. Não passavam a supranumerários".

Fico sem perceber. Tanto se fala dos "boys" do partido que está no poder. Agora, fico a saber que também há o dever de proteger os "boys" que o partido anterior lá deixou. Estamos mesmo precisados de um Eça ou de um Rafael Bordalo Pinheiro!

Publicado por ecos à(s) 02:37 PM | Comentários (1)

julho 08, 2004

Indiferença

Hoje de manhã, no noticiário das 8 duma rádio, ouvi o seguinte:

"Lá fora, nada de novo. Seis palestinianos mortos e um ferido ..."

A insensibilidade instalada, a normalidade do que é anormal e que já nem afecta nem quem prepara, nem quem lê as notícias.

Adicionalmente, não posso deixar de me perguntar quantas vezes ouvi a mesma frase ou outra semelhante e nem dei conta.

Publicado por ecos à(s) 09:34 AM | Comentários (0)

julho 04, 2004

Portugalidade e futebol

Por estranho que pareça, Eduardo Lourenço escreveu um artigo que foi incluido na secção de destaque do Público de hoje. Todos os outros são sobre futebol, puro e duro. Recomendo a leitura de Romaria Portuguesa Ou o Fim da Complacência.

Publicado por ecos à(s) 09:04 AM | Comentários (0)

julho 03, 2004

Adeus a Sophia

NAVEGAÇÃO

Distância da distância derivada
Aparição do mundo: a terra escorre
Pelos olhos que a vêem revelada.
E atrás um outro longe imenso morre.

Dia do Mar, 1947

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

Publicado por ecos à(s) 08:26 AM | Comentários (0)

julho 02, 2004

Umberto Eco, sobre esquerdas

[...]
La première concerne, en France comme en Italie ou en Allemagne, de petits groupes issus d'un excès de gauchisme. La Terre est ronde : on ne peut pas aller trop à gauche. A force de poursuivre l'idée la plus extrême, la plus provocatrice, la plus « novatrice », on fait le tour, et l'on se retrouve à l'extrême-droite. C'est ce qui est arrivé à certains.
La deuxième raison, ce sont les dogmatismes passés de la vieille gauche. Il fut un temps où tous ceux qui pensaient différemment de nous étaient des fascistes. En réaction à ces excès passés, on a tendance aujourd'hui à tendre la main à tout le monde, et à ne plus discerner où sont les ennemis et les lieux de capture. Il est vrai qu'il faut une capacité de discernement particulière, et finalement rare, pour reconnaître la bonne foi et le caractère éventuellement généreux des mobiles de nos adversaires sans pour autant justifier leurs choix idéologiques.
[...]

(in: La pensée est une vigilance continuelle)

Publicado por ecos à(s) 10:58 AM | Comentários (0)

País adiado!

Razão nº 1 para ser monárquico: a independência/neutralidade do chefe de estado perante os partidos. Razão nº 2: não deixar o país à espera.

Publicado por ecos à(s) 09:42 AM | Comentários (3)

Vamos ver-nos "gregos"!

Publicado por ecos à(s) 09:34 AM | Comentários (0)