março 31, 2004

AVC

430 mil portugueses correm risco de ter AVC nos próximos dez anos. Este é um título no Diário de Notícias de hoje que nos deve fazer reflectir. Porque escolhemos um estilo de vida que favorece objectivamente certas patologias. Muitos de nós trabalham sentados, dependem cada vez mais do carro e vivem vidas cheias de "stress". Não estou a advogar, obviamente que façam como eu e se mudem para o campo. Mas podemos fazer escolhas que reduzam o risco que, todos, corremos. Hoje é dia de pensar um pouco nisto. Não por medo, mas por realismo. Para que pessoas que podem dar contributos válidos para a sociedade em que vivemos não fiquem encerradas dentro delas mesmas, incapazes de falar coerentemente e de se moverem autonomamente. Porque não ler "De Profundis, Valsa Lenta", de José Cardoso Pires? (Dom Quixote)

Publicado por ecos à(s) 08:04 AM | Comentários (2)

março 28, 2004

Refúgios

A chuva de críticas ao Refúgio Aboim Ascenção (ver toda a comunicação social pc (politicamente "correcta")) faz parte duma campanha que nada tem a ver com as recentes declarações do seu director, Luís Villas Boas, sobre a adopção por homossexuais. É, obviamente, obra de grupos de cidadãos empenhados genuinamente na protecção das crianças. Tão empenhados que, garantem, receberão em suas próprias casas as crianças do refúgio se este for fechado, como pretendem.
Comentário do Dr. Morgado, enquanto discutiamos o caso, ao serão: Crianças grandes, a brincar com fósforos! Depois admiram-se com os incêndios que ateiam!

Publicado por ecos à(s) 12:42 PM | Comentários (0)

março 22, 2004

ACMedia

Já que estava em Coimbra por causa da "Paixão de Cristo" (viver na aldeia tem destas desvantagens: para certas coisas temos mesmo que ir à cidade), programei as coisas para também assistir ao debate da ACMedia (Associação Portuguesa de Consumidores dos Media) que decorreu na Casa da Cultura. Subordinado ao tema "(In)formar: Missão dos Media?", contou com a participação da Dra. Fátima Fonseca, Presidente da Associação e do Professor João César das Neves, entre outros.
As apresentações foram extremamente interessantes, já que os dois oradores principais estão muito habituados a desmontar o "modus operandi" dos "media" em geral, tendo naturalmente primazia a televisão.
Destaco, como mensagem principal, a necessidade de ajudar os jovens a aprenderem a distinguir o trigo do joio em matéria televisiva. Começar por fazer escolhas por eles quando são mais pequenos; depois, acompanhá-los na visualização e, eventualmente, discutir com eles o que foi visto; finalmente, ir aliviando a supervisão para que aprendam a fazer as suas próprias escolhas. Valeu bem a pena chegar mais tarde ao jantar, já que foi um debate animado, pontuado por momentos bem dispostos da autoria de César das Neves (e.g., somos contra a gravidez na adolescência e o casamento em todas as idades). Deliciosa tirada.

Publicado por ecos à(s) 09:54 PM | Comentários (3)

Paixão

De Cristo.
Não consigo ainda comentar, porque estou, de alguma maneira, sob a influência do filme.
Poderoso e cru. Sem meias-tintas.

Muitas pequenas paixões, uma Grande.

Publicado por ecos à(s) 05:38 PM | Comentários (0)

Apanhado

A notícia do dia: os israelitas assassinaram o líder do Hamas.
A minha reacção: finalmente, apanharam o homem.

Numa segunda leitura, não posso deixar de me recriminar, tanto pelo finalmente, como pelo apanharam. Não me estou a referir a um objecto, mas a um homem. Que cometeu actos condenáveis, certamente; não é essa a questão.

Recrimino-me porque também sou, à minha escala, terrorista. Porque retiro a uma vida humana o seu valor.

Publicado por ecos à(s) 12:20 PM | Comentários (4)

Pobreza

No seu artigo no Público de hoje (Procuram-se Três Mil Portugueses Remediados e Solidários!), Graça Franco chama a atenção para um problema com que qualquer habitante de uma cidade de mediana dimensão se depara todos os dias. Problema esse que existe também nas aldeias, mas que é aí menos visível.
Ainda me lembro de, em casa dos meus pais, haver um pobre que vinha comer connosco aos domingos. Esse hábito, que se pode classificar de insignificante, uma caridadezinha, mesmo esse perdeu-se. Hoje, o Estado tem que prover a tudo, mesmo que quem o reclame faça tudo para não pagar os impostos e ainda por cima se queixe.
Que insensibilidade é esta que só me choca quando os números publicados num jornal mostram que este país ainda está muito longe de ser uma nação desenvolvida, como eu por vezes imagino...

Publicado por ecos à(s) 12:13 PM | Comentários (0)

março 17, 2004

Medos

Corremos todos o risco de passarmos a andar com medo da própria sombra, desconfiados de tudo. Perguntamo-nos se será seguro assistir a jogos do Euro 2004, ou ao "Rock in Rio". Desconfiamos de sacos ou malas abandonadas por cidadãos mais ou menos árabes num qualquer lugar público.

[...]

Pelo menos alguns de nós (serão assim tão poucos?) continuarão a conduzir de uma forma que garantirá que, no fim do ano, a sinistralidade nas estradas provocará mais mortos que o atentado de Madrid.

Publicado por ecos à(s) 04:48 PM | Comentários (0)

março 15, 2004

Interrogações

E se uma bomba passar a constar entre as armas possíveis para alterar, no último momento, os resultados dumas eleições? Qual o significado dos resultados em Espanha para:
a governação do PSOE?
as democracias europeias?
o terrorismo global?

Publicado por ecos à(s) 01:09 PM | Comentários (0)

março 14, 2004

Respeitos

Temos sempre esperança que a suspensão introspectiva causada por um acontecimento dramático se prolongue indefinidamente e que promova alterações nos comportamentos. O habitual é ficarmo-nos pelo minuto de silêncio, o dia de luto com bandeiras a meia-haste ou o equivalente espanhol de três dias, que nem sequer foi respeitado. Mais do que o período de reflexão das eleições, era aquele que mereceria neste momento mais atenção.
Enfim, a vida continua, sobre mortos e feridos e memórias curtas.

Publicado por ecos à(s) 10:43 AM | Comentários (0)

março 12, 2004

A incoerência

O PS continua a estrebuchar em relação à questão do aborto. E como a cólera é má conselheira, vai de desnorte em desnorte. Mais uma vez, pretende garantir que o aborto clandestino é livre e que quem ganha dinheiro com isso o poderá fazer garantidamente, sem poder ser perseguido pela justiça. A prova:

"4. A suspensão provisória do processo exclui qualquer ulterior intervenção da pessoa no processo, ou em processo conexo, relativo a terceiros, não podendo designadamente ser objecto de meio de obtenção de prova ou intervir em qualquer meio de prova."
(do Ante-projecto do PS, em discussão na bancada parlamentar)

Ou seja, não podendo as mulheres testemunhar que se praticou um aborto, não se pode condenar quem o executou e com isso ganha dinheiro.
Já agora, porque não solicitam subsídios do estado para essas "clínicas" ou a sua inclusão em programas de listas de espera?

Publicado por ecos à(s) 11:41 AM | Comentários (0)

O sentido da morte

Ontem, estive propositadamente calado. Passaram-me muitas coisas pela cabeça relativamente aos acontecimentos em Espanha. Destaco uma: senti-me atingido porque foi mesmo aqui ao lado. Porque não me sinto atingido quando é no Iraque, na Palestina, em África?

Publicado por ecos à(s) 10:02 AM | Comentários (0)

março 10, 2004

Pérolas

Como se viu pela entrada de ontem, os blogues também fazem parte do âmbito dos "media". Encontrei este texto numa entrada do Abrupto (9 de Março) chamada: AS FORMAS ANTIGAS DE SENSIBILIDADE: QUENTINHO.

"[...] A vaidade moderna, diz o Realista Antigo, surgida no romantismo, é outra coisa. É a crença na omnisciência do eu, na intangibilidade da vontade individual, dos seus desejos , apetites e pulsões. É uma vaidade sem Deus. Está cheia de metáforas prometaicas - e como o Realista Antigo abominava as metáforas prometaicas! É mais uma massagem do eu, ou um conforto quente. [...]"

Publicado por ecos à(s) 10:44 AM | Comentários (0)

março 09, 2004

"Tão rasteira, como certeira"

A entrada de Ana Gomes no Causa Nossa de dia 8 do corrente, intitulada Por detrás da homofobia, é lapidar. Tão lapidar que escolhi palavras da própria para título (com um "leve" ajuste). Depois de dar uma "voltinha" pela sua experiência diplomática no que concerne à homosexualidade, toca de dar em cima (salvo seja) de Luís Villas Boas, que era o seu alvo desde o início.
- Ele há pessoas muito previsíveis! - costuma dizer o Dr. Morgado, a quem a idade dá uma experiência invejável.

Publicado por ecos à(s) 06:55 PM | Comentários (0)

março 08, 2004

Mulher

No seu artigo de opinião no Público de hoje (Neo-feminismo Precisa-se!), Graça Franco tece considerações sobre a condição da mulher que eu não teria dificuldade em subscrever. Apesar de algumas incomodarem o meu comodismo de homem.
Vai uma distância grande deste texto a outros que têm surgido a propósito do Dia Internacional da Mulher, contendo a pieguice do costume, repetida ano após ano.

Publicado por ecos à(s) 06:01 PM | Comentários (0)

março 06, 2004

A Prova

Helena Matos, no seu artigo de opinião no Público de hoje (Criar Uma Filha para Isto), manifesta-se indignada pela posição tomada pelo PCP e pela APF sobre a iniciativa do PP de criminalização da mutilação genital feminina. Insurge-se sobretudo pela inversão de posições políticas relativa à discussão da despenalização do aborto. Sem tentar querer ser mais explícito do que a autora já é sobre a falta de coerência dos partidos políticos, desta vez liderada pela esquerda, acrescento apenas que só estou à espera de uma iniciativa da esquerda contra o véu e o crucifixo.

Publicado por ecos à(s) 09:22 AM | Comentários (0)

março 05, 2004

O meu comentário

Relativamente ao "post" de ontem, tenho a dizer que, de facto, não consegui resistir a ler o livro de uma só vez. Como impressões gerais de uma leitura rápida ficaram: pela parte de Eduardo Prado Coelho, o levantar de muitos dos preconceitos habituais contra a Igreja Católica numa atitude de interrogação; pela parte do Cardeal Patriarca, uma boa contribuição para descodificar a linguagem da Igreja para quem não comunga dos mesmos princípios. Definitivamente, a não perder, com o magnífico prefácio de Eduardo Lourenço, uma análise notável para qualquer um dos "campos", como incentivo adicional.

Publicado por ecos à(s) 10:30 AM | Comentários (0)

março 04, 2004

Diálogos

Comprei hoje um livro intitulado "Diálogos sobre a Fé" (Editorial Notícias, 2004), um diálogo em cartas entre Eduardo Prado Coelho e D. José Policarpo. A ideia de um diálogo epistolar entre um ateu e um crente não é nova . Existe em tradução portuguesa o livro "Em que crê quem não crê?" (Gráfica de Coimbra, 2000), entre Umberto Eco e o Cardeal Carlo Maria Martini. O que é novo é o aparecimento duma obra deste teor no panorama português. Não sei se vou resistir a lê-lo de uma assentada.
Do prefácio da obra, de Eduardo Lourenço, destaco o seguinte:
"[...] De repente, um Ocidente, estruturalmente alheio à esfera do religioso que fora a dele durante séculos, descobriu que o seu apagamento, o apagamento através dela dos valores que davam sentido à sua mera existência, não era um privilégio, uma superioridade humana incontestável, uma libertação, fundamento e essência de liberdade que é a sua imagem de marca histórica, mas uma objectiva fragilidade. [...]"

Publicado por ecos à(s) 09:51 PM | Comentários (0)

Critérios

Ontem passei pelo café da aldeia pouco depois das sete da noite. A televisão dava o noticiário da TVI, que ontem foi mais cedo por causa do jogo do Benfica. Um rodapé passou a notícia de que um bébé tinha sido encontrado vivo numa sanita.
O António não se conteve e exclamou lá do fundo:
- É por isto que eu sou a favor do aborto.
Fiquei a pensar no assunto. Não deixa de ser curioso que uma mãe que leva a gravidez ao termo e depois abandona a criança seja considerada por todos uma assassina. Isto independentemente de o bébé sobreviver ao abandono, o que acontece quase sempre. Outra mãe que garante, através dum procedimento abortivo, que não há possibilidade de sobrevivência do filho, é tratada por alguns como uma heroína. Critérios...

Publicado por ecos à(s) 09:58 AM | Comentários (0)

março 03, 2004

Público equilibrado

Por uma vez, o Público de hoje apresenta uma opinião equilibrada sobre a questão do aborto. Saliento dois artigos (Tutelar a Vida Ou Condenar as Mulheres? e O Rei Vai Nú!) porque referem pontos cruciais que devem ser tidos em atenção em futura legislação sobre a matéria. O mais importante neste assunto é que se chegue a um consenso aceitável por todas as partes, não que uma delas "ganhe" à outra. Todos, mesmo todos, ficaremos a ganhar.

Publicado por ecos à(s) 11:20 AM | Comentários (0)

março 02, 2004

Descubra as diferenças

Comparando dois artigos de opinião do Público de hoje (A Questão do Aborto e a Cultura da Vida e É Possível Ser Católico e Apoiar o Direito ao Aborto), o contraste não podia ser mais flagrante. Até porque o titulo do segundo é uma contradição em si mesmo. A menos que a senhora que o escreve se tenha enganado, colocando "ser católico" onde deveria estar "dizer-se católico". A parte notável de tudo isto é como se gasta o tempo a dar a volta ao texto única e exclusivamente para justificar escolhas pessoais, nunca as assumindo verdadeiramente pelo que são.

Publicado por ecos à(s) 10:13 AM | Comentários (0)

março 01, 2004

190.635 ASSINATURAS

190.635 assinaturas e contando ainda. Palavras para quê?

Publicado por ecos à(s) 11:35 PM | Comentários (0)