junho 12, 2005

Não!

Uma das consequências mais sérias dos referendos ao chamado Tratado Constitucional Europeu é o assumir do divórcio existente entre o povo e as classes dirigentes. Esse divórcio, já real em muitos casos a nível nacional, transfere-se agora para a Europa. Nada será como dantes. As "favas contadas" mudaram definitivamente.
O absurdo da diferença nas percentagens de voto entre parlamentos e referendos reais não espanta quem dirige. Adquiriu-se a "certeza" da possibilidade de manipulação das vontades individuais e nem as sondagens contrárias, insistentes, levam ao arrepio do caminho traçado. O autismo impera, esse sim, verdadeiro factor de desagregação da construção europeia.
As declarações de muitos políticos espelham esta realidade de forma cristalina. Não há forma de o modesto cidadão escapar a esta realidade: andaram a "comer-lhe as papas na cabeça". Agora, os políticos, aturdidos, confrontam-se com a realidade e traçam cenários catastrofistas. Não aprenderam as lições da História. Tudo querem no imediato, sem cuidarem que se aproximaram perigosamente duma certa quinta Orwelliana.
O que não está previsto é sempre desagradável. Força a sair do comodismo habitual de quem está habituado a que tudo corra sobre rodas; da descoberta súbita de que, afinal, são apenas um grupo pequeno, de elite, cuja opinião não vinga. E que muitos mais olhos observarão, de agora em diante, com uma atenção redobrada.

Publicado por ecos em junho 12, 2005 08:54 AM
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