António Barreto, no Público de hoje:
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Uma votação europeia constitui uma oportunidade para os cidadãos votarem ao mesmo tempo por razões nacionais e europeias. O que traduz o estatuto híbrido da União. Não é possível votar a favor ou contra uma qualquer "coisa" europeia sem que tal seja personificado ou tome corpo em pessoa, partido, decisão ou política nacionais. Quem votou "não", fê-lo por um conjunto de razões nacionais e europeias. Tal, aliás, como quem votou "sim". Diante do "défice democrático", agora absolutamente esquecido pelos defensores da Constituição, e com absurdas "eleições europeias" sem significado nem consequências, os cidadãos votam nestes referendos por todas as razões imagináveis. Mas, no essencial, votam por uma Gestalt, uma impressão de conjunto, uma ideia global, um vulto e um sentimento geral, não por uma razão singular e concreta. E votam também por desconfiança da elite política, tanto europeia como nacional, que é, aliás, a mesma.
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Uma cimeira de rastos (necessária assinatura electrónica)
Publicado por ecos em junho 12, 2005 08:51 AM