Eduardo Lourenço e a sua interpretação dos pressupostos históricos que conduziram a França à situação que vive hoje:
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Desde o início, o belo sonho europeu foi um sonho mal sonhado mesmo para quem o sonhou com convicção - para ser um sonho de compensação e de medo e não um sonho imperioso e vital, filho de uma paixão politica, activa, por aquilo que nebulosamente chamamos Europa. A ameaça real ou virtual do ex-império soviético bastou, de 1949 a 1989, para justificar e alimentar o sonho "defensivo" europeu encorajado pelos Estados Unidos e impossível sem o famoso "guarda-chuva" atómico. A partir do muro de Berlim, com uma Europa já em marcha, esse imperativo histórico não pareceu tão urgente. O fim da guerra fria deu-lhe um golpe fatal. Com o fantasma de Estaline remetido para a sombra, a Europa ficou sem inimigo. A direita europeia descobriu um, de substituição, quase fantasmático, na ameaça islâmica integrista, mais para o partilhar com a América do que para se sentir "europeia". A esquerda reciclou as suas frustrações, inventando-se anti-americana. Mais do que ninguém, a França ilustrou esta dupla postulação na ordem politica e cultural. Ilustrou-a por delegação, não por dinâmica interna, como no passado. E é este no fundo, o verdadeiro dilema histórico-politico e cultural francês. A França, todos nós sabemos, já não é a prima-dona da nossa história europeia e sobretudo da nossa mitologia especificamente europeia que a França como ninguém, encarnou.
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A débacle branca (necessária assinatura electrónica)
Publicado por ecos em maio 29, 2005 08:37 AM