O Público de hoje tráz o último artigo de opinião de ASSilva como "professor universitário". É um excelente artigo, intitulado Sartre e depois, cuja leitura recomendo vivamente. Deixo aqui um excerto que me pareceu mais marcante:
[...] Os intelectuais de que necessitamos são gente situada, nem são neutros, nem assépticos. O que pensam e dizem, pensam-no e dizem-no em circunstâncias precisas e a partir das visões do mundo em que se reconhecem. Não são portadores de verdade, nem gozam de estatuto especial. Não são condutores de massas, conselheiros de príncipes ou iluminadores de leigos. Não são adornos dos poderes constituídos ou a constituir. São apenas sujeitos como os outros, condicionados como os outros, que podem e devem intervir mobilizando os valores e os princípios que a história dos seus campos profissionais e académicos foi acumulando.
[...]
Também gostei bastante deste artigo de ASSilva. Eu destacaria uma passagem anterior à que citas:
«Que não é possível pensar o mundo académico ou artístico sem comunicação com o "exterior". Que a experiência e o posicionamento nesse mundo podem ajudar a qualificar o espaço público e o exercício da cidadania. Que a condição necessária de tal contribuição é que o intelectual, se assim lhe quisermos continuar a chamar, e não vejo porque não, nunca abdique dos princípios e modos de pensar e conhecer característicos da sua actividade científica, técnica ou criativa. Que o alfa e ómega desses princípios é a liberdade e independência crítica. A qual não lhe concede nenhuma autoridade prévia ou transcendental, não o coloca em nenhum lugar de verdade, não o investe de nenhuma aura profética.»
Eis algo que, infelizmente, passa muitas vezes ao lado de uma parte (demasiado) significativa dos nossos (pseudo-)intelectuais das universidades...
Esse é sempre o risco que se corre ao citar: não foi fácil escolher neste artigo.
Afixado por: JSNovo em março 16, 2005 11:04 PM