O ataque ao Procurador Geral da República é o último acto (até ao momento) de uma estratégia de dissolução social levado a cabo por quem vê nisso vantagem pessoal. Escudando-se no anonimato, a aposta vai no sentido de transformar a vida pública num concurso de televisão ou, até, numa versão "monumental" do "Big Brother". Não há ética, serviço público, vida privada. Apenas a exposição crua de factos mais ou menos encenados.
Pouco importa que isso revele mais sobre a forma de pensar de quem se esconde por detrás dos peões do jogo. O importante é que se leve uma grande parte da audiência a pensar que a única lei é a "lei da selva": ou atacas primeiro, ou não sobrevives.
A possibilidade de pressão sobre os actores políticos justifica a tendência actual para a escolha de pessoas sem pensamento próprio, personalidades fracas facilmente moldáveis aos desejos de eminências pardas. A Justiça é, de facto, o último alvo a abater por ser, teoricamente, imune ao processo de pressão pela opinião pública. Claro que o relativismo social actual tem também consequências a nível dos actores judiciais, havendo sinais abundantes dos efeitos da pressão mediática sobre os mesmos. Esta é apenas a última batalha numa guerra mais longa.
Ver também O jornalista, o PGR e a assessora, de Guilhermina Marreiros (assinatura electrónica necessária).
Publicado por ecos em agosto 28, 2004 11:24 AM