Neste dia de eleições para o Parlamento Europeu, talvez se fale de tudo menos de Europa: de futebol, certamente, como de férias, que vêm aí, ou de exames, que é tempo deles.
No entanto, na Europa está o nosso futuro. O que a Europa vai ser também depende de nós, à nossa própria medida. É certo que não ligamos muito à nossa própria identidade nacional, excepto se tiver a ver com bola. Como, então, revelarmos interesse por essa identidade mais dúbia e distante chamada Europa? Vamos hoje votar ou vamos à praia? Parece ser uma escolha fácil e sem espinhas.
Um contributo notável, mas denso de significado, para esta problemática é o de Fernando Gil na revista Actual do Expresso desta semana (A Europa e o diálogo entre as culturas (assinatura necessária)). Um pequeno excerto:
[...] A Europa vive dias estranhos, que nunca antes conheceu, e perante os quais se descobre desamparada, «sem hábitos». Historicamente, o seu declínio relativo - hoje face aos Estados Unidos, amanhã face à Ásia também - faz com que ela possa cessar de representar, ou esteja já em vias disso, um horizonte de verdadeiras expectativas para populações menos desenvolvidas: e não sabe como sair deste beco. Parece, às vezes, que a única coisa que ainda se lhe pede - a actualidade mais imediata é disso prova eloquente - é caucionar valores «bárbaros», a fim de preservar a sua sobrevivência. O seu envelhecimento fomenta um niilismo: ela deixa de dialogar, ela aquiesce em silêncio e faz deste silêncio um dom da sua cultura. [...]
Publicado por ecos em junho 13, 2004 09:50 AM