maio 30, 2004

Ciclos de arena

Estamos condenados a ciclos. Ciclos de abundância e ciclos de penúria. No entanto, o nosso défice não é de números, é de alma, como diz Vítor Ramalho. Falta-nos a alma para reconhecer que somos pequenos, sem recursos naturais. Que temos que procurar o nosso próprio destino à custa do nosso esforço. Mas bramamos por benesses e por espectáculo.
Colocamos no governo gente apenas para o espectáculo ser maior. Na arena, abatem-se os políticos. O mais das vezes, pelos que aspiram a ocupar-lhes o lugar; sem verem que a lógica inevitável os levará também para o mesmo local de abate. As grandes batalhas, como a da Educação, são obliteradas pelos pequenos conflitos de vizinhos; sabem que têm que viver em conjunto, mas tudo fazem para tornar a vida impossível, aos outros como a eles próprios.
Pessimista serei, com um grande défice de alma; pessimista é António Barreto em Fim de Ciclo. Haverá futuro para lá do pessimismo?

Publicado por ecos em maio 30, 2004 05:28 PM
Comentários

Talvez seja uma questão de sensatez, mais do que pessimismo. E o pessimista não tem tanta tendência a desiludir-se, sendo que as alegrias, essas sim, são merecidamente festejadas. Tudo tem as suas vantagens :)

Afixado por: pedro guedes em maio 31, 2004 12:23 AM