maio 16, 2004

Utopia

Porque pergunto, na entrada anterior, se António Barreto estará a ser utópico?

Penso que ninguém, em Portugal, duvida que qualquer governo que venha a existir, será sempre baseado ou no PS ou no PSD. A isto muitos designam por alternância democrática. Alternância essa que, por acaso, só se verificou até hoje no governo e não na presidência. Mas, como eu até sou monárquico, passo por cima desta última questão.

Sendo assim, a questão situa-se na ordem dos factores. E, neste caso, ao contrário do que acontece na matemática, essa ordem não é arbitrária. Está primeiro o país (ou as pessoas que o constituem) ou os interesses particulares do partido?

Comecemos por esta última questão. Se, por um momento, imaginarmos que os interesses particulares de um partido estão à frente do interesse nacional, que nos impede de achar que os nossos interesses também estão à frente dos do partido? Ou os do nosso grupo preferido, seja ele o clube de futebol, o lobi, a empresa. o emprego.

Esta é, em última análise, a consequência de sermos livres. De em cada momento podermos decidir o que fazer. Por vezes, por surpreendente que pareça, tem que haver sacrifícios em nome do bem comum. Por vezes, o bem comum, a longo prazo, é bem mais benéfico para nós próprios do que podiamos antecipar. Um exemplo concreto, para recordar uma celebração recente, foi o 25 de Abril de 1974. Quem ganhou mais: o país ou os intervenientes directos?

Publicado por ecos em maio 16, 2004 05:25 PM
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